Paulo Guedes sobre Bolsonaro - OESP)

”Se entrou gente da guerrilha, por que não do Exército?” 
O Estado de S. Paulo, 28/07/2018

Principal assessor e responsável pelo capítulo econômico do programa de governo do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, o economista Paulo Guedes defendeu ontem a participação de militares em um eventual gestão do deputado fluminense. “Entrou alguém que estava na guerrilha há 20 anos, por que não pode entrar um (ex-) capitão do Exército?”, questionou Guedes, em entrevista ao Estadão/Broadcast. O comentário de Guedes é uma referência à presidente cassada Dilma Rousseff (PT), que atuou na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VARPalmares) durante a ditadura militar, e a Bolsonaro, que é militar reformado. Numa tentativa de dirimir a desconfiança de agentes econômicos em relação à candidatura de Bolsonaro, Guedes ressaltou sua confiança nas instituições e na democracia, que, segundo ele, “dão segurança à alternância de poder”. Como exemplo, disse que quando o Executivo “se portou mal”, houve impeachments de presidentes, e quando o Legislativo se portou mal, o Judiciário agiu.
Ao apresentar as linhas gerais do programa econômico de Bolsonaro, Guedes afirmou que o “objetivo absoluto” é o controle de gastos com a meta de zerar o déficit primário em um ano. “Vamos tentar um ataque frontal e zerar o déficit (nas contas públicas) em um ano.” Questionado sobre a disposição de Bolsonaro para fazer uma agenda de reformas econômicas liberais, Guedes disse que o pré-candidato entende que precisa ser feita uma transformação no Estado brasileiro. “Ao contrário do que todo mundo pensa, porque todo mundo tem medo às vezes do Jair Bolsonaro, não tem ameaça nenhuma, ele é muito ponderado sobre o que é possível fazer.”
Forte defensor do liberalismo na economia, Guedes demonstrou disposição para a negociação política em torno de propostas econômicas em caso de resistência do Congresso. “Você acha razoável numa democracia alguém ter carta branca para fazer tudo o que quer? Ou será uma resultante do processo político? Acredito que será resultante do processo político”, disse. “Ninguém é salvador da pátria, ninguém vai fazer nada sozinho, não existe plano mirabolante para salvar o País.”

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